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Futebol: Portugal ridicularizado

Domingo, 03.06.12

Evito, nos tempos conturbados que correm, falar de futebol... Mas hoje não resisto pois, a poucos dias do início de uma grandiosa competição como é o Europeu, sinto com o meu instinto de quem percebe alguma coisa de bola e dos seus meandros que algo não vai bem no seio da nossa Seleção! E porquê, é o que vou tentar explanar sem me alongar em demasia...


 

 

No meu tempo - e não sou assim tão velho - era algo impensável um qualquer jogador profissional, em actividade, vir a público através de conferência de imprensa, anunciar que já não estaria capaz de representar a equipa das quinas. Posso estar enganado mas, a meu ver, a Seleção é a 'tropa' do futebolista português e, se o treinador entender convocar, a decisão só tem é de ser acatada! 

 

E quando eu afirmo que algo vai mal no seio do nosso conjunto, estou infelizmente a lembrar-me do que vi este sábado aquando do hino nacional. Miguel Veloso, que até me parece um indivíduo vertical na vida, não estava nem aí na hora de entoar 'A Portuguesa', facto que para mim é no mínimo inconcebível. É um jogador razoável - longe da qualidade do pai - mas que, tecnicamente, está longe de caber nestes 23 sendo que, após esta falta de patriotismo inacreditável (para não chamar desrespeito), deveria o Presidente da Federação chegar-se à frente e afastar o visado deste lote, abrindo até uma vaga a alguém com maior valia e que pudesse 'emprestar' uma alma diferente para melhor àquele meio-campo ultra remendado.

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publicado por oblogdopovo às 01:46

Contra a extinção de freguesias

Sábado, 02.06.12

Tal como foi divulgado, realizou-se esta tarde uma grandiosa manifestação em defesa do poder local democrático e na qual, para além do 'Blog do Povo', estiveram presentes centenas de munícipes solidários com a causa apesar da chuva 'fascista' que não atrapalhou a luta, não só dos comunistas, mas também de outros quadrantes políticos à qual esta luta é completamente transversal. Assim e para os mais interessados, deixo aqui a moção aprovada por unanimidade e aclamação no final das intervenções no Jardim do Fogueteiro, precedida por um tema de José Afonso no qual ele evoca a freguesia da Aldeia de Paio Pires...

O Parlamento aprovou no dia 13 de Abril com os votos favoráveis do PSD e CDS, promulgado por Cavaco Silva em 17 de Maio e publicado em Diário da República, que aponta para a extinção de centenas de freguesias.

Esta legislação a ser aplicada representaria um grave atentado contra o poder local democrático, os interesses das populações e o desenvolvimento. Está demonstrado que a proposta do Governo visa, única e exclusivamente, extinguir freguesias. A coberto do anunciado 'reforço de coesão', o que daqui resultaria seria mais assimetrias e desigualdades. Juntar os territórios com mais meios e com mais população, com os que têm menos meios ou menos populosos - em áreas urbanas ou rurais - traduzir-se-ia em mais atracção para os primeiros (os que sobreviveram como freguesias) e afastamento dos segundos (os que verão as suas freguesias liquidadas). Ou seja, mais abandono, menos investimento, menos serviço público, menos coesão e menos democracia.

Outra das falácias utilizada são os 'ganhos de eficiência e de escala' que resultariam da 'libertação de recursos financeiros' quando na verdade o que sucederia era uma menor proximidade e resposta directa aos problemas das populações, com menos verbas e recursos disponíveis. Porque o que está garantido pelo Governo, é um novo corte de verbas no Orçamento de Estado em 2013, mesmo as chamadas 'majorações' de 15% para as freguesias que se agregarem, sairão do fundo de financiamento das mesmas, isto é, seriam retiradas ao montante destinado ao conjunto das freguesias e mesmo as hipotéticas novas competências seriam constituídas à custa dos orçamentos municipais.

Uma verdadeira reforma administrativa do território que se pretendesse séria e tivesse como objectivo servir melhor a população aprofundando a democracia deveria, ao contrário da liquidação de centenas de freguesias, criar as condições e afetação dos meios indispensáveis ao exercício das atribuições e competências que hoje lhe são negadas e, ao mesmo tempo, concretizar a regionalização como a Constituição da República determina, indispensável a um processo de descentralização que se pretende coerente, a uma reforma da administração pública nacional, ao desenvolvimento económico regional e à defesa da autonomia municipal.

Importa referir que as freguesias representam somente em termos de orçamento de Estado 0,098% do total, em nada contribuindo para a dívida pública e fundamentais para a coesão do território e desenvolvimento local, ficando desta forma clara a intenção do Governo - atacar o poder local, os direitos das populações e dos trabalhadores.

A liquidação de centenas de freguesias representaria um enorme empobrecimento democrático, com uma redução de mais de 20.000 eleitos no poder local que intervêm activamente na vida das suas comunidades, enfraquecimento da afirmação, defesa e representação dos interesses e aspirações das populações que a presença de orgãos autárquicos assegura, o aprofundamento das assimetrias e perda de coesão (territorial, social e económica), o acentuar da desertificação e um ataque ao emprego público, pois milhares de trabalhadores das freguesias extintas cujo destino será o despedimento ou a mobilidade.

No caso concreto do município do Seixal, a aplicação desta lei teria contornos ainda mais absurdos. O concelho tem 160.000 habitantes e é o segundo do país no número de habitantes por freguesia. Cada uma promove e reflecte a coesão do todo geográfico do município, onde prestam serviços públicos locais de excelência, optimizando os seus próprios recursos e partilhando-os sempre que necessário. Caracterizam-se ainda pelo seu pujante e dinâmico movimento associativo, sendo muitas dessas instituições centenárias. As Juntas de Freguesia no município do Seixal reflectem a sua identidade própria, nas suas diferenças e consagram em cada uma, as suas razões de natureza histórica, cultural, social e outras.

A Assembleia Municipal do Seixal, as Juntas e suas Assembleias de Freguesia, rejeitaram reiteradamente a possibilidade de agregação ou extinção de qualquer uma, defendendo de forma inequívoca a manutenção das seis freguesias presentemente existentes respondendo, desta forma, aos legítimos anseios da nossa população.

Em conclusão importa ainda salientar que, por todo o país, esta proposta do Governo tem merecido rejeição, sendo disso exemplo a grande manifestação nacional de freguesias do dia 31 de Março convocada pela ANAFRE e por plataformas contra a liquidação, que constituiu uma inapagável resposta das populações em defesa da sua identidade e raízes, uma poderosa expressão de afirmação dos seus direitos e identificação com as suas freguesias e respectivos orgãos autárquicos tal como já o fôra o Congresso da ANAFRE, em 2 e 3 de Dezembro de 2011, o Encontro Nacional de Freguesias em 10 de Março de 2012, assim como as múltiplas manifestações de descontentamento, conjuntas ou de cada freguesia e município.

Assim, os eleitos e trabalhadores, bem como o movimento associativo e toda a população presente nesta grande acção de rua em 2 de Junho de 2012, delibera:

1. Manifestar a sua oposição a qualquer proposta de liquidação e defender o actual número de freguesias, por aquilo que elas representam para as populações, bem como o reforço das suas competências e meios financeiros.

2. Exortar a ANAFRE e a ANMP a não pactuarem com este processo, não indicando representantes para a chamada 'unidade técnica'.

3. Promover e apelar à subscrição do abaixo-assinado contra a extinção de freguesias.

4. Apelar a todos os autarcas, aos trabalhadores das autarquias, ao movimento associativo e à população, para o prosseguimento da luta e das diversas acções, contra a extinção de freguesias e em defesa do poder local democrático.

Seixal, 2 de Junho de 2012 

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publicado por oblogdopovo às 17:29

Dia de luta pelo poder local democrático

Sábado, 02.06.12

Face à ameaça de extinção das muitas freguesias planeada pelo governo, ao estrangulamento financeiro e ataque à soberania das autarquias que constituem uma ameaça real ao poder local democrático, a delegação de Setúbal da Associação Nacional de Freguesias, sugeriu a marcação para hoje de acções de luta descentralizadas nos vários concelhos do distrito setubalense.

 


SEIXAL (14h30): Concentração na rotunda da Cruz de Pau com desfile até ao Jardim do Fogueteiro.

ALMADA (15H00): Concentração na Praça Gabriel Pedro com desfile até aos Paços do Concelho.

MOITA (10H00): Concentração na Praça da República.

BARREIRO (10H00): Concentração na Rua Miguel Bombarda frente à Santa Casa da Misericórdia.

PALMELA (10H00): Concentração no Largo do Ponto Novo, Quinta do Anjo.

SETÚBAL (20H00): Festival Popular no Largo José Afonso.

 

 

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publicado por oblogdopovo às 02:45

O Zé fugiu e ninguém mais o viu

Sexta-feira, 01.06.12

Prosseguindo a minha onda política dos últimos dias, deixo-vos agora com um momento mais descontraído e no qual, através da música, se brinca um pouco com esta salada russa bem portuguesa desencadeada por estes 'camaradas' do capital. 

 

 

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publicado por oblogdopovo às 23:38

Por uma questão de cidadania

Sexta-feira, 01.06.12

 

 

 

 

 

 

 

Dias Loureiro... Não tem que se esconder de nada. Não é arguido de coisa alguma! Ainda por cima pertencia ao 'grupo dos protegidos' de Cavaco Silva que terá dito confiar plenamente neste 'senhor' quando ele era membro do Conselho de Estado. Que Loureiro tem o tal empreendimento em Cabo Verde... tem, que o conheço. Mas viver lá não vive! Vive no Estoril numa das casas que era do grande empresário Jorge de Mello e, ao que alegadamente se consta, é também proprietário de mais um lote anexo (tudo em nome de Sociedades Off-Shore). Vive sem se esconder - pois nem pingo de vergonha tem - na sua mansão do Estoril bem perto da Escola de Hotelaria, com uma excelente piscina sempre aquecida, casa de bonecas com ar condicionado - vinda de um qualquer país nórdico - no jardim para a neta, com um casal de caseiros vindos da Colômbia expressamente para o cargo (muito útil pois não sabem uma palavra de português), a esposa actual Xana - durante anos uma das muitas amantes que tinha - a quem oferecia carros topo de gama, esbanja em compras para ela e amigos (botas, roupas, animais - cada coisa na ordem dos 600 euros, simples 'prendinhas' numa tarde de ir às compras). Ele oferece jantares em restaurantes 'in', caçadas no Alentejo a amigos e passeia às 'escancaras' por Cascais/Estoril. Dizem para aí que é conselheiro particular de Passos Coelho e Miguel Relvas mas devem ser coisas das... 'más línguas'! E há muito mais mas... em Cabo Verde não está. Ao menos, caso se escondesse lá, era porque lhe restava alguma ponta de vergonha. Sei o que digo; não é notícia da 'net'. É conhecimento de causa - testemunhada.

  

ADIVINHA DO DIA...

 

- Tem um processo de investigação em curso,

- Negou coisas que o seu chefe disse,

- Esteve muito ligado a um grande Partido,

- Sabe fazer umas 'cantarolas'

- Também sabe jogar golfe,

- Desde há uns meses nunca mais se ouviu falar dele.

 

Resposta... Dias Loureiro! Há 30 anos era um 'advogadeco pé rapado' em Coimbra e vive actualmente à grande e à 'fartazana'. É o dono do maior e mais luxuoso 'resort' turístico da Ilha do Sal. É naquela ilha daquele país africano, onde o BPN criou umas 'sucursais' e um Banco mais ou menos virtual, que se faziam umas operações de lavagem e fugas ao fisco. Alguém dá por ele na nossa imprensa? O que nos leva a pensar tal esquecimento!? Como vêem é fácil fazer esquecer um roubo superior a mais de 5 mil milhões de euros, quando se tem amigos... por todo o lado. O BPN não era conhecido como o Banco do PPD onde Cavaco - uma espécie de 'gato escondido com o rabo de fora' - foi favorecido com o ganho de uns milhares, o mesmo acontecendo com a 'negociata da Coelha', em Albufeira, com gente da sua confiança política. Não terá Cavaco que dar umas 'explicaçõezitas' à justiça? E todos os que obtiveram fortunas fabulosas em poucos anos, além destes que por aí há!? Que espécie de país é este!!? Vá passando... para os esquecidos se irem lembrando! Quem disse que em Portugal há justiça?

 

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publicado por oblogdopovo às 05:54

CSI Lisboa - cenas dos próximos capítulos

Quinta-feira, 31.05.12
Já que estamos numa fase de polémicas, transcrevo aqui esta publicação do meu amigo Edgar Malveiro no 'Facebook' - com o aval do próprio - na qual se levantam questões tão sérias quanto pertinentes...
 
Quando a PIDE caiu muitos portugueses dirigiram-se às suas instalações para saber se o seu nome constava nos ficheiros. É natural que também agora muitos portugueses estejam interessados em conhecer a sua ficha, só que ainda não se percebeu muito bem se devem dirigir-se ao gabinete do Relvas, à sede da Ongoing, ou ao gabinete de Passos Coelho para onde também terão sido enviadas fichas, como sucedeu com a do Bernardo Bairrão.

Assim, faria sentido que o governo informasse os portugueses através do seu 'site', ou mesmo nos blogues dos assessores e adjuntos de Miguel Relvas, sobre o local onde devem dirigir-se para saberem a que conclusões chegaram os novos agentes da 'PIDE'.

«Num 'mail' enviado de Silva Carvalho para Paulo Félix (à data funcionário da Ongoing e ex-PJ), a 4 de Setembro de 2011, Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa, aparece com um nome de código: Balsinhas. Nele, Silva Carvalho pede que vejam “em fontes abertas” tudo o que há “sobre o Balsinhas”, em particular sobre os empréstimos que tinha, em que bancos e quando venciam. Silva Carvalho argumenta que essa informação interessava à estrutura financeira e económica da Ongoing. Tempos depois, recebe um relatório detalhado de 31 páginas sobre Balsemão, que incluía uma cronologia com dados importantes da sua biografia, uma colectânea de recortes dos jornais, listas de amigos, inimigos, aliados e até considerações sobre a sua performance sexual.

Confrontado com estas informações que constam do processo-crime, Pinto Balsemão disse nunca ter suspeitado que tinha sido espiado e comparou esta situação a uma outra desencadeada pela PIDE.

Em declarações ao 'i', Balsemão disse estar indignado: “Ainda recentemente consultei os relatórios que a PIDE fez quando me espiava. Agora, quando vivemos em democracia, é muito mais grave. Nunca pensei que chegássemos a este ponto numa sociedade de direito democrático”.

O processo confirma ainda que um grupo dentro da Ongoing terá dado início a uma campanha no 'twitter' para difamar Balsemão: foram 1500 'tweets', com 900 're-tweets'.

Pelo menos uma vez terão sido usados meios ilegais para conhecer a vida privada de empresários concorrentes como “o estado de inquéritos criminais”, a “identificação de titulares de endereços de IP” e de “proprietários de veículos através da matrícula”. Mas os investigadores não conseguiram descobrir a quem se referia as iniciais N.C., a tal pessoa que a Ongoing mandou investigar.

Noutra situação, um ex-agente ao serviço da Ongoing serviu-se do estatuto de inspector da PJ “para obter o pagamento de uma dívida” em benefício de Isabel Rocha dos Santos. A mulher acabaria por pagar a dívida de quatro mil euros que teria servido para comprar um aspirador». [i]

«Silva Carvalho, o ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), apanhado no caso das secretas, fez jogos de charme junto de dirigentes político-partidários e não só, a fim de se insinuar para chefe máximo dos Serviços de Informações. Nos autos, consta um 'sms' enviado a Marco António Costa, à data vice-presidente do PSD, mostrando que o ex-espião tinha outras ambições ainda maiores: chegar a ministro. Só não revelava qual a pasta que desejava ocupar.

Nessa mensagem, enviada a 13 de Maio de 2011, nas vésperas das eleições legislativas, Silva Carvalho insinuava que o vice do PSD estaria a travar a sua vontade de ser ministro ou secretário-geral do SIRP. Apesar do grau de confiança que parecia existir entre os dois, já que Silva Carvalho o trata por tu, o homem do PSD e também membro de uma loja maçónica, parece que nem sequer tinha aquele número de telemóvel do ex-espião gravado». [i]

Parecer:

Que pena o rapaz não ter chegado a ministro...
 
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se se iam transformar a Madeira em Tarrafal».

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publicado por oblogdopovo às 14:49

Uma aventura dentro do comunismo real

Terça-feira, 29.05.12

"Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as mais populares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que é um grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político; que hoje é só comes e bebes.

Já é a segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisas e que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdade verdadinha é que a Festa do Avante faz um bocadinho de medo.

O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.

Porque é que a Festa do Avante faz medo?

É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça! Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem-dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?

É sempre desconfortável estar rodeado por pessoas com ideias contrárias às nossas. Mas quando a multidão é gigante e a ideia é contrária é só uma só – então, muito francamente, é aterrador.

Até por uma questão de respeito, o Partido Comunista Português merece que se tenha medo dele. Tratá-lo como uma relíquia engraçada do século XX é uma desconsideração e um perigo. Mal por mal, mais vale acreditar que comem criancinhas ao pequeno-almoço.

Bem sei que a condescendência é uma arma e que fica bem elogiar os comunistas como fiéis aos princípios e tocantemente inamovíveis, coitadinhos.

É esta a maneira mais fácil de fingir que não existem e de esperar, com toda a estupidez que, se os ignoramos, acabarão por se ir embora.

As festas do Avante, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo, são magníficas.

É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só no sentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que é trabalhar de graça.

A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festas dos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro a prepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar: também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. É preciso ter a certeza que se vai mudá-lo.

Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “capacidade de organização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão ao trabalho de se organizarem.

Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes dará razão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que não podem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que são dotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porque acreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. E talvez sejam. Basta completar a frase "se não fossem os comunistas, hoje não haveria"... e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistas meramente "burguesas" que lhes devemos, como o direito à greve e à liberdade de expressão.

É por isso que não se sentem “derrotados”. O desaparecimento da URSS, por exemplo, pode ter sido chato mas, na amplitude do panorama marxista-leninista, foi apenas um contratempo. Mas não é só por isso que a Festa do Avante faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não só sabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazem o que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até o 'show off' é mínimo e saudável.

Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nem proximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém. As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas e animadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoa sentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante é automático.

Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira, dissessem e fizessem as mesmas coisas - paciência. Dava-nos jeito que estivessem eufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo - mas não estão. Estão é fartos do capitalismo - e um bocadinho zangados.

Não há psicologias de multidões para ninguém: são mais que muitos, mas cada um está na sua. Isto é muito importante. Ninguém ali está a ser levado ou foi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. Não há chamarizes nem compulsões. Vale tudo até o aborrecimento. Ou seja: é o contrário do que se pensa quando se pensa num comício ou numa festa obrigatória. Muito menos comunista.

Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias. Convinha-nos pensar que as comunas eram um rebanho mas a parecença é mais com um jardim zoológico inteiro. Ali uma zebra; em frente um leão e um flamingo; aqui ao lado uma manada de guardas a dormir na relva.

Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre trânsito, é como voltar aos anos 60.

Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete. Nos tempos que correm, vale ouro. Há milhares de pessoas a entrar e a sair mas não há bichas. A circulação é perfeitamente sanguínea. É muito bom quando não desconfiamos de nós.

Mesmo assim tenho de confessar, como reaccionário que sou, que me passou pela cabeça que a razão de tanta preocupação talvez fosse a probabilidade de todos os potenciais bombistas já estarem lá dentro, nos pavilhões internacionais, a beber copos uns com os outros e a divertirem-se.

A Festa do Avante é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada ao ponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar a grandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representando o país inteiro e os PALOP, é difícil não pensar numa versão democrática da Exposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E de salazarismo, claro.

Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festa do PCP fosse partidária, sectária e ideologicamente estrangeirada. Na verdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista.

O desaparecimento da União Soviética foi, deste ponto de vista, particularmente infeliz por ter eliminado a potência cujas ordens eram cegamente obedecidas pelo PCP.

Sem a orientação e o financiamento de Moscovo, o PCP deveria ter também fenecido e finado. Mas não: ei-lo. Grande chatice.

Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez.

A teimosia comunista é culturalmente valiosa porque é a nossa própria cultura que é teimosa. A diferença às modas e às tendências dos comunistas não é uma atitude: é um dos resultados daquela persistência dos nossos hábitos. Não é uma defesa ideológica: é uma prática que reforça e eterniza só por ser praticada. (Fiquemos por aqui que já estou a escrever à comunista).

A Exposição do Mundo Português era “para inglês ver”, mas a Festa do Avante em muitos aspectos importantes, parece mesmo inglesa. Para mais, inglesa no sentido irreal. As bichas, direitinhas e céleres, não podiam ser menos portuguesas. Nem tão-pouco a maneira como cada pessoa limpa a mesa antes de se levantar, deixando-a impecável.

As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo e substituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tanta gente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.

Se a Festa do Avante dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau. A coisa está tão bem organizada que não se vê. Passa-se o mesmo com os seguranças - atentos mas invisíveis e deslizantes, sem interromper nem intimidar uma mosca.

O preconceito anticomunista dá-os como disciplinados e regimentados – se calhar, estamos a confundi-los com a Mocidade portuguesa. Não são nada disso. A Festa funciona para que eles não tenham de funcionar. Ao contrário de tantos festivais apolíticos, não há pressa; a ansiedade da diversão; o cumprimento de rotinas obrigatórias; a preocupação com a aparência. Há até, sem se sentir ameaçado por tudo o que se passa à volta, um saudável tédio, de piquenique depois de uma barrigada, à espera da ocupação do sono.

Quando se fala na capacidade de “mobilização” do PCP pretende-se criar a impressão de que os militantes são autómatos que acorrem a cada toque de sineta. Como falsa noção, é até das mais tranquilizadoras. Para os partidos menos mobilizadores, diante do fiasco das suas festas, consola pensar que os comunistas foram submetidos a uma lavagem ao cérebro.

Nem vale a pena indagar acerca da marca do champô.

Enquanto os outros partidos puxam dos bolsos para oferecer concertos de borla, a que assistem apenas familiares e transeuntes, a Festa do Avante enche-se de entusiásticos pagadores de bilhetes.

E porquê? Porque é a festa de todos eles. Eles não só querem lá estar como gostam de lá estar. Não há a distinção entre “nós” dirigentes e “eles” militantes, que impera nos outros partidos. Há um tu-cá-tu-lá quase de festa de finalistas.

É um alívio a falta de entusiasmo fabricado – e, num sentido geral de esforço. Não há consensos propostos ou unanimidades às quais aderir. Uns queixam-se de que já não é o que era e que dantes era melhor; outros que nunca foi tão bom.

É claro que nada disto será novidade para quem lá vai. Parece óbvio. Mas para quem gosta de dar uma sacudidela aos preconceitos anticomunistas é um exercício de higiene mental.

Por muito que custe dize-lo, o preconceito - base, dos mais ligeiros snobismos e sectarismos ao mais feroz racismo, anda sempre à volta da noção de que “eles não são como nós”. É muito conveniente esta separação. Mas é tão ténue que basta uma pequena aproximação para perceber, de repente, que “afinal eles são como nós”.

Uma vez passada a tristeza pelo desaparecimento da justificação da nossa superioridade (e a vergonha por ter sido tão simples), sente-se de novo respeito pela cabeça de cada um.

Espero que não se ofendam os sportinguistas e comunistas quando eu disser que estar na Festa do Avante foi como assistir à festa de rua quando o Sporting ganhou o campeonato. Até aí eu tinha a ideia, como sábio benfiquista, que os sportinguistas eram uma minúscula agremiação de queques em que um dos requisitos fundamentais era não gostar muito de futebol.

Quando vi as multidões de sportinguistas a festejar – de todas as classes, cores e qualidades de camisolas -, fiquei tão espantado que ainda levei uns minutos a ficar profundamente deprimido.

Por outro lado, quando se vê que os comunistas não fazem o favor de corresponder à conveniência instantaneamente arrumável das nossas expectativas – nem o PCP é o IKEA -, a primeira reacção é de canseira. Como quem diz: ”Que chatice – não só não são iguais ao que eu pensava como são todos diferentes. Vou ter de avaliá-los um a um. Estou tramado. Nunca mais saio daqui.”

Nem tão pouco há a consolação ilusória do 'pick and choose'.

... É uma sólida tradição dizer que temos de aprender com os comunistas... Infelizmente é impossível. Ser-se comunista é uma coisa inteira e não se pode estar a partir aos bocados. A força dos comunistas não é o sonho nem a saudade: é o dia-a-dia; é o trabalho; é o ir fazendo; e resistindo, nas festas como nas lutas.

Há uma frase do Jerónimo de Sousa no comício de encerramento que diz tudo. A propósito de Cuba (que não está a atravessar um período particularmente feliz), diz que “resistir já é vencer”.

É verdade – sobretudo se dermos a devida importância ao “já”. Aquele “já” é o contrário da pressa, mas é também “agora”.

Na Festa do Avante não se vêem comunistas desiludidos ou frustrados. Nem tão pouco delirantemente esperançosos. A verdade é que se sente a consciência de que as coisas, por muito más que estejam, poderiam estar piores. Se não fossem os comunistas: eles.

Há um contentamento que é próprio dos resistentes. Dos que existem apesar de a maioria os considerar ultrapassados, anacrónicos, extintos. Há um prazer na teimosia; em ser como se é. Para mais, a embirração dos comunistas, comparada com as dos outros partidos, é clássica e imbatível: a pobreza. De Portugal e de metade do mundo, num Portugal e num mundo onde uns poucos têm muito mais do que alguma vez poderiam precisar.

Na Festa do Avante sente-se a satisfação de chatear. O PCP chateia. Os sindicatos chateiam. A dimensão e o êxito da Festa chateiam. Põem em causa as desculpas correntes da apatia. Do 'ensimesmamento' online, do relativismo ou niilismo ideológico. Chatear é uma forma especialmente eficaz de resistir. Pode ser miudinho – mas, sendo constante, faz a diferença.

Resistir é já vencer. A Festa do Avante é uma vitória anualmente renovada e ampliada dessa resistência. ... Verdade se diga, já não é sem dificuldade que resisto. Quando se despe um preconceito, o que é que se veste em vez dele? Resta-me apenas a independência de espírito para exprimir a única reacção inteligente a mais uma Festa do Avante: dar os parabéns a quem a fez e mais outros a quem lá esteve. Isto é, no caso pouco provável de não serem as mesmíssimas pessoas.

Parabéns!"

MIGUEL ESTEVES CARDOSO - Revista 'SÁBADO' 

 

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publicado por oblogdopovo às 08:54

Suécia venceu festival da canção

Segunda-feira, 28.05.12

Após algumas notícias menos boas, o Blog do Povo continua a falar de música agora que o Rock in Rio descansa uma semana e aproveito para dissecar o Festival Eurovisão da Canção. A Suécia, através de Loreen com o tema Euphoria acabou por ganhar, ela que era mesmo apontada como uma das favoritas. Até aqui nada contra. Quanto a Portugal, voltámos a não atingir a final mas sejamos coerentes. Nem a nossa música era assim tão má e, verdade seja dita, nem as finalistas eram músicas de excepção. Calhámos numa eliminatória complicada onde países meio irmãos votaram entre si, já para não falar dos eternos cinco países que estão sempre automaticamente apurados. Algo que não entendo. Enfim. Deixo aqui a vencedora mas também o 'link' http://www.youtube.com/watch?v=fk5i7Hfyy3o onde podem também recordar a nossa participação...

 

 

 vídeo: svt / youtube

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publicado por oblogdopovo às 02:49

Metallica poderosos no Rock in Rio Lisboa

Domingo, 27.05.12

Abriu esta sexta-feira a edição lisboeta do 'Rock in Rio' com os Metallica como cabeça de cartaz. E quando muitos duvidavam das capacidades da banda, eis que nos brindam com um espetáculo bem acima da média. Temas maioritariamente do Black Album mas aqui e ali com uma sonoridade incrível como, por exemplo, no refrão do 'The Unforgiven' que vos convidamos a ver aqui mesmo. Confiram... 

 

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publicado por oblogdopovo às 01:30

Um dia no estágio da Seleção

Quarta-feira, 23.05.12

7h00: Alvorada. 7h30: Pequeno almoço. 7h32: Miguel Veloso acordou. 7h45: Chegou ao hotel o camião com os bidons de água oxigenada para o cabelo do Fábio Coentrão. 8h00: Os jogadores terminam o pequeno almoço. 8h13: Veloso acaba de comer o seu croissant. 8h32: Médico chamado ao quarto de Coentrão que entretanto se intoxicou com a pintura do cabelo. 8h47: Funcionários do hotel expulsam Veloso da sala do pequeno almoço. 9h12: Nani dá a 24ª conferência de imprensa improvisada. 9h28: Carlos Martins lesiona-se a calçar as chuteiras. 9h30: Início do treino matinal. 9h31: Quaresma no chão. 9h33: Martins assistido pela equipa médica. 9h37: Paulo Bento discursa no relvado. 9h45: Veloso chegou ao treino. 9h46: Quaresma no chão. 9h55: Corrida. 11h03: João Pereira apaga o cigarro. 11h06: Veloso junta-se aos companheiros na corrida de aquecimento. 11h07: Quaresma no chão. 11h45: Peladinha. 11h46: Quaresma no chão. 11h47: Quaresma no chão. 11h58: Martins assistido pela equipa médica depois de se lesionar ao ser assistido pela equipa médica. 12h00: Ronaldo acordou e entra diretamente para a sala de maquilhagem. 12h01: Quaresma no chão. 12h04: Fim da peladinha. 12h07: Veloso está finalmente pronto para entrar na peladinha. 12h09: Paulo Bento diz a Quaresma para se levantar do chão. 13h30: Almoço no hotel. 13h34: Martins lesiona-se com o garfo. 14h30: Fim do almoço. 14h57: Fim do almoço de Veloso. 14h58: Ronaldo junta-se aos seus companheiros para uma sessão de autógrafos. 15h00: Ronaldo assina um poster que oferece a Pepe mas, acidentalmente, lesiona Martins com a caneta. 17h00: Resto do dia de folga para todo o plantel. 17h30: Bruno Alves corre todo nú pelos corredores do hotel atrás das empregadas da limpeza. 17h44: Veloso entra finalmente de folga. 17h49: Quaresma no chão (do quarto). 20h00: Jantar. 20h05: Ronaldo chega atrasado ao jantar porque esteve a realizar uma sessão fotográfica, um anúncio, uma conferência de imprensa, assinar um contrato de patrocínio com o BES e inaugurar uma loja de roupa. 21h45: Final do jantar. 22h00: Roda de sueca no bar. Pepe e Rolando, contra Ruben Micael e Ricardo Costa. Martins toma nota da pontuação. 22h03: Rolando corta com ás de trunfo, a manilha também de trunfo do companheiro e perde o jogo. 22h04: Martins lesiona-se no pulso a tomar nota dos resultados. 22h06: Ronaldo pede um whiskey e os senhores da Johnny Walker contratam-no para fazer um anúncio. 23h00: Ordem de recolha aos quartos. 23h07: Postiga telefona a Paulo Bento queixando-se que não consegue dormir com o barulho de Quaresma a atirar-se para o chão. 23h28: Bruno Alves é preso depois de ser apanhado a correr todo nú atrás da recepcionista. 23h44: Veloso deita-se. 23h45: Quaresma adormece no chão...!   

 

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publicado por oblogdopovo às 00:11